A emoção de simples acordes
FOTO: Eirik Glambek Bøe e Erlend Øyes, dupla formadora do Kings Of Convenience
"I'll lose some sales and my boss won't be happy,
but I can't stop listening to the sound
of two soft voices
blended in perfection
from the reels of this record that I've found"(Homesick, KofC)
Gostaria muito de descobrir porque certas bandas invadem a minha privacidade e me deixam completamente seduzido por suas melodias. Chegando ao ponto de correr o risco de ser demitido do trabalho por não parar de ouví-las. Isto é uma coisa que venho pensando ultimamente quando ouço a minha melhor descoberta do ano, o Kings Of Convenience e seus melancolicos álbuns.
Tudo começou em abril deste ano quando estava à procura de informações sobre uma coletânea do meu grande mestre e ídolo, Nick Drake, no site da Amazon. Antes de chegar ao meu objetivo deparei-me com um álbum de capa bonita e nome engraçado, "Reis da Conveniência". Por pura curiosidade fui ao SoulSeek e baixei o segundo (ou seria o primeiro?) álbum dos caras chamado "Quiet Is The New Loud", de 2001. Prefiro achar que essa casualidade foi extremamente proposital e divina, uma vez que a minha vida mudou desde então. Posso dizer com certeza que nada até hoje me tocou tanto como estas melodias norueguesas. Todas, sem exceção.
Por coincidência, um mês depois a dupla folk lançou no mercado o terceiro (ou segundo? Mas isso é outro papo) álbum intitulado de "Riot On An Empty Street". Mais uma vez recorri para a web e passei a ouvir compulsivamente as novas faixas com espírito de quem precisava dissecá-las para escrever uma resenha.
As novidades em relação ao álbum anterior são os arranjos mais maduros e a participação da vocalista canadense Leslie Feist, do grupo Broken Social Scene. "A demo dela foi minha gravação preferida dos últimos cinco anos", disse Eirik na divulgação de "Riot..".
Durante o processo de assimilação, muitas vezes me perguntei: "Qual é a deles? Por que eles soam tão agradáveis? Bem, a resposta não demorou muito a vir. Ao ouvir umas trezentas vezes todas as faixas, percebi que a moral da história era justamente a simplicidade das composições. Sob uma mistura melancolica de músicas acústicas (folk) e arranjos de cordas ou de pianos, à letras poéticas e existencialistas o Kings Of Convenience encanta e apaixona. Há inclusive flertes com a música brasileira, especialmente a bossa nova, influência declarada dos noruegueses (vide o cover de "Garota de Ipanema", do Tom Jobim).
Por falar em covers, a dupla se saiu muito bem ao fazer o próprio arranjo de músicas famosas. É o caso de Manhattan Skyline (do A-ha), Once Around The Block (do Badly Drawn Boy, para o qual abria seus shows), The Eternal (do Joy Division), You Made Me Forget My Dreams (do Belle & Sebastian) e a versão simples e linda do hino do Portishead, Glory Box.
Quanto às suas composições: imaginem a trilha sonora perfeita para aqueles dias chuvosos que trazem uma melancolia sem fim. Assim podem ser definidas as melodias do duo norueguês. Perdi a conta de quantas vezes chorei ao ouvir "Cayman Islands" em tardes e noites, no frio de Porto Alegre ao calor de Belém. Todos os dias, TODOS os dias ouço esta música. (Holding on to you, I never thought it would be this clear). Mas a dupla também tem seu lado engraçadinho na dançante "I'd Rather Dance With You" (I'll make you laugh by acting like the guy who sings, and you'll make me smile by really getting into the swing). Outras das minhas preferidas oscilam entre um acorde mais alegre e outros mais sérios e existencialistas, citam-se "Winning a Battle, Losing The War", "Parallel Lines" e a fantástica "The Weight Of My Words", que diz tudo neste final de texto:
"There are very many things
I would like to say,
but I've lost my way
and I've lost my words"(KofC)
Para saber mais sobre a dupla basta acessar: www.kingsofconvenience.com ou www.kingsofconvenience.org.
"I'll lose some sales and my boss won't be happy,
but I can't stop listening to the sound
of two soft voices
blended in perfection
from the reels of this record that I've found"(Homesick, KofC)
Gostaria muito de descobrir porque certas bandas invadem a minha privacidade e me deixam completamente seduzido por suas melodias. Chegando ao ponto de correr o risco de ser demitido do trabalho por não parar de ouví-las. Isto é uma coisa que venho pensando ultimamente quando ouço a minha melhor descoberta do ano, o Kings Of Convenience e seus melancolicos álbuns.
Tudo começou em abril deste ano quando estava à procura de informações sobre uma coletânea do meu grande mestre e ídolo, Nick Drake, no site da Amazon. Antes de chegar ao meu objetivo deparei-me com um álbum de capa bonita e nome engraçado, "Reis da Conveniência". Por pura curiosidade fui ao SoulSeek e baixei o segundo (ou seria o primeiro?) álbum dos caras chamado "Quiet Is The New Loud", de 2001. Prefiro achar que essa casualidade foi extremamente proposital e divina, uma vez que a minha vida mudou desde então. Posso dizer com certeza que nada até hoje me tocou tanto como estas melodias norueguesas. Todas, sem exceção.
Por coincidência, um mês depois a dupla folk lançou no mercado o terceiro (ou segundo? Mas isso é outro papo) álbum intitulado de "Riot On An Empty Street". Mais uma vez recorri para a web e passei a ouvir compulsivamente as novas faixas com espírito de quem precisava dissecá-las para escrever uma resenha.
As novidades em relação ao álbum anterior são os arranjos mais maduros e a participação da vocalista canadense Leslie Feist, do grupo Broken Social Scene. "A demo dela foi minha gravação preferida dos últimos cinco anos", disse Eirik na divulgação de "Riot..".
Durante o processo de assimilação, muitas vezes me perguntei: "Qual é a deles? Por que eles soam tão agradáveis? Bem, a resposta não demorou muito a vir. Ao ouvir umas trezentas vezes todas as faixas, percebi que a moral da história era justamente a simplicidade das composições. Sob uma mistura melancolica de músicas acústicas (folk) e arranjos de cordas ou de pianos, à letras poéticas e existencialistas o Kings Of Convenience encanta e apaixona. Há inclusive flertes com a música brasileira, especialmente a bossa nova, influência declarada dos noruegueses (vide o cover de "Garota de Ipanema", do Tom Jobim).
Por falar em covers, a dupla se saiu muito bem ao fazer o próprio arranjo de músicas famosas. É o caso de Manhattan Skyline (do A-ha), Once Around The Block (do Badly Drawn Boy, para o qual abria seus shows), The Eternal (do Joy Division), You Made Me Forget My Dreams (do Belle & Sebastian) e a versão simples e linda do hino do Portishead, Glory Box.
Quanto às suas composições: imaginem a trilha sonora perfeita para aqueles dias chuvosos que trazem uma melancolia sem fim. Assim podem ser definidas as melodias do duo norueguês. Perdi a conta de quantas vezes chorei ao ouvir "Cayman Islands" em tardes e noites, no frio de Porto Alegre ao calor de Belém. Todos os dias, TODOS os dias ouço esta música. (Holding on to you, I never thought it would be this clear). Mas a dupla também tem seu lado engraçadinho na dançante "I'd Rather Dance With You" (I'll make you laugh by acting like the guy who sings, and you'll make me smile by really getting into the swing). Outras das minhas preferidas oscilam entre um acorde mais alegre e outros mais sérios e existencialistas, citam-se "Winning a Battle, Losing The War", "Parallel Lines" e a fantástica "The Weight Of My Words", que diz tudo neste final de texto:
"There are very many things
I would like to say,
but I've lost my way
and I've lost my words"(KofC)
Para saber mais sobre a dupla basta acessar: www.kingsofconvenience.com ou www.kingsofconvenience.org.











esta e exatamente a 7 vez initerrupta que ouco a Cayman Islands, e apesar da nao tao boas experiencias, e portanto, estar evitando coisas da escandinavia, resolvi adotar essa dupla como uma de minhas preferidas, afinal Noruega e frio, cara mas tem seu charme tb e se expressa na simplicidade com que esses dois expoem coisas simples do cotidinao de forma tao poetica e envolvente, elecando a mamixa contemporanea "menos e sempre mais". Adorei mesmo, fica a frase que mais gostei "Through the anyways, to colorfing the shadows". Nossa e tudo que precisamos fazer, resumindo, correr atras, colorir as sombras que empatam por vezes nosso camimho e ser feliz. Vou seguir com essa na cabeca nas horas dificeis. Eu recomendo !
bjs e saudades