Voc j viveu um grande amor ?

Você já viveu um grande amor ?

Ontem enquanto trabalhava pelo período da tarde fui agraciado com dois convites para a peça "Dorotéia Minha", monólogo da atriz global Beth Goulart. A felicidade era enorme, principalmente por saber que tinha o dedo de Nelson Rodrigues na jogada. A peça começava 20h30, então fui e arrastei o Marquinhos comigo.

Antes do espetáculo, teve uma contida apresentação do paraense Márcio Macêdo, com o seu MPB de boa qualidade. Preciso dizer que gostei demais de uma música chamada "Outro Quilombo", do paulistano Renato Braz, na voz dele. Este tipo de música remete à minha infância e pré-adolescência, quando ainda era uma pessoa sadia, emocionalmente falando.

Quando começou a apresentação teatral, entrei completamente no clima intimista da narrativa com a pergunta da atriz - belíssima, nunca pensei que fosse tanto -, que olhava bem nos olhos da platéia em sua entrada triunfal: "Você já viveu um grande amor?". Um golpe inicial trazido no olhar de Beth, que mais tarde mostraria todo o seu talento - e que talento - em cima do palco ao interpretar três personagens, um deles, é claro, meu ídolo Nelson Rodrigues.

Melhor explicando, "Dorotéia Minha" é inspirado em cartas e bilhetes de amor escritos por Nelson Rodrigues para Eleonor Bruno, mãe de Nicete Bruno, portanto avó de Beth Goulart. A encenação é da própria Beth e do argentino Victor Garcia Peralta, que já a dirigiu em "Decadência". A raiz do espetáculo nasceu de uma verdadeira história de amor que aconteceu entre Eleonor e Nelson. "Um amor profundo e arrebatador", segundo disse a atriz ao final do espetáculo. Beth interpreta sozinha no palco, a personagem Dorotéia, condutora e narradora do espetáculo.

“Não é a história de amor de Nelson e Eleonor. É uma história de amor que poderia acontecer com qualquer um de nós. Não quis incluir nada que os identificasse. A história é vivenciada por três personagens: ele, ela e Dorotéia”, disse Beth quando lançou o espetáculo. “Cada personagem tem uma energia própria, que se materializa através do corpo, do movimento, da fala e dos gestos”, completa.

É incrível como o espetáculo reúne um excelente contexto - de atuação, música (Beth canta todas as música durante a peça e surpreende com uma voz fantástica) e iluminação. A atriz marca as suas interpretações com características físicas, que que são determinantes na sua atuação. Usa o corpo para dramatizar, utilizando-se de gestos bem definidos na duplicidade de sexo e na definição dos personagens. Passei o tempo todo da peça completamente mergulhado nessa essência corporal. Que expressões perfeitas...estou até agora com o texto na cabeça e com as imagens gestuais da atriz. Nota 10 para o Banco do Brasil que trouxe essa maravilha para nós paraenses, carentes de bons espetáculos teatrais. Que venham mais!
marciomarciano: 11/05/2004 12:37 AM
deborixsoares: 11/05/2004 10:22 AM
flexa: 11/05/2004 9:45 PM
eu: 11/06/2004 3:19 PM
efeitoplacebo: 11/08/2004 5:16 AM
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